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domingo, 11 de março de 2012

Passageiro do fim do dia

Passageiro do fim do dia versa sobre a periferia pobre da cidade grande, tocando na violência e injustiça sistemática. Sua proposta é mostrar as relações sociais que justificam as desigualdades e as dificuldades para se perceber essas desigualdades. Trata-se de um romance social, sem os ranços naturalistas de que os pobres são pobres porque são vítimas do sistema. Fim de uma sexta-feira, como de hábito, Pedro vai passar o fim de semana com a namorada, que vive com o pai e uma tia num bairro planejado, a 40 km do centro, cujos lotes foram distribuídos à população carente. Ele embarca num ônibus no centro da cidade e pratica o exercício pessoal de “Não ver, não entender e até não sentir”. Entretanto, tudo acontecerá durante o percurso que se inicia e que se prolongará durante horas, retardado por uma comoção imprecisa no destino da viagem. De radinho no ouvido, lendo seu livro a intervalos, observando distraído o que se passa dentro do ônibus e fora nas ruas, Pedro insensivelmente costura as ideias: o amor pela namorada, a lembrança de um acidente doloroso de que guarda sequela no corpo, a mãe, os estudos universitários interrompidos, seu pequeno sebo no centro da cidade, coisas que a namorada lhe contou sobre o bairro onde vive, sobre a pobreza da família, sobre os planos que alimenta para o futuro, sobre a exploração no trabalho. Os acontecimentos atuais, escassos mas cheios de tensão, somando-se às divagações de Pedro: será que o ônibus chegará a seu destino? Ao longo de um engarrafamento que parece não ter mais fim, os bairros e as ruas se sucedem enquanto o sol se põe.
Rubens Figueiredo (1955), além de escritor é professor de português na rede estadual de ensino e tradutor de obras russas importantes, como Guerra e Paz, de Tolstói. Com Passageiro do fim do dia, ganhou o Prêmio Brasil Telecom de Literatura e o Prêmio São Paulo de Literatura, como o livro do ano em 2011.
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Rubens Figueiredo. Passageiro do fim do dia. SP, Cia. das Letras, 2010 200 pp R$ 42,00