O argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) respirava livros. Depois de cego, tomou emprestado os olhos e as mãos de Maria Kodama, sua secretária, para ler e escrever suas histórias. A relação de Borges com Kodama foi vital para o escritor. A presença dela em sua vida dava-se de forma integral. Colaborou diretamente para alguns livros dele. Acabaram casando-se pouco antes da morte do escritor, para desgosto da família de Borges. Hoje, ela preside a Fundación Internacional Jorge Luis Borges, com sede en Buenos Aires.
O libro de areia, escrito em 1975, está composto de treze contos e um epílogo. No primeiro, O outro, um velho, em Genebra, senta-se num banco de uma praça deserta. Alguém vem e senta-se no mesmo banco e assobia uma canção que o velho pensa conhecer. Dirige-se à pessoa a seu lado, um jovem, e lhe pergunta se mora em rua tal, número qual. O jovem responde que sim. Pergunta-lhe também se seu nome é Jorge Luís Borges. Ele diz sim. O velho lhe diz, então, que também se chama Jorge Luís Borges. Faz referências a vários fatos da vida do jovem Borges, para provar-lhe que o conhecia bem. Começa, então, a contar ao novo Borges a vida que ele vai viver. Assim vai se desenrolando o conto. Borges trata, aí, do duplo, muito frequente em sua escritura.
No segundo relato, Ulrica, o personagem-narrador, um escritor colombiano, em um congresso na cidade inglesa de York, apaixona-se por uma mulher norueguesa bela, de pele clara e longos cabelos longos. O narrador, provavelmente, a relacionou a uma Valquíria, personagem mitológica do folclore nórdico. Os dois são apresentados, fazem um passeio pelo bosque e o escritor apaixona-se por ela, dando-lhe um beijo na boca. Ela diz a ele que terão um momento de amor definitivo num lugar próximo dali. Como ela tem dificuldade em dizer seu nome espanhol, pede para chamá-lo de Sigurd. Então ele diz que vai chamá-la de Brynhild. Esses dois personagens fazem parte de uma história de amor trágica da lenda das Valquírias. Os dois dirigem-se ao local do idílio, despem-se e o amor flui. Foi a primeira e última vez que possuiu a imagem de Ulrica. Outro dado interessante, na história de Borges, é que Ulrica é a heroína de diversas histórias de diversos autores. Borges traça, aí, a mescla da oralidade com a escritura.
Bom, os outros contos do livro são igualmentle fascinantes. Não vou comentá-los para que não perca, leitor, a graça da leitura. Nesses dias frios de outono, sirva uma taça de tannat ou malbec para refrescar as ideias, pegue O livro de areia e entregue-se à leitura de seus contos maravilhosos. Esqueça-se da vida e viva as vidas do livro. Depois interfira nesse mundo com sua realidade. A obra foi lançada em 15 de abril pela Folha de São Paulo, dentro de seu projeto de Literatura Ibero-americana, lançando um livro semanalmente. Você ainda pode encontrar o exemplar nas bancas, se preferir esse tipo de edição, por ser mais acessível. A qualidade de edição é boa.
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Jorges Luís Borges. O livro de areia. SP, Cia. das Letras, 2001, 101 pp. R$ 35,00
A edição da Folha, nas bancas, custa R$ 17,90
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domingo, 13 de maio de 2012
domingo, 27 de novembro de 2011
Prólogos à Biblioteca de Babel
A pedido de seu editor e amigo italiano Franco Maria Ricci, Jorge Luís Borges escreveu uma série artigos sobre seus escritores favoritos para uma edição de contos relacionados à iteratura fantástica. A literatura fantástica de Borges relaciona-se à imaginação, esta sim, fantástica, dos contos árabes, da ficção científica, do absurdo kafkiano entre outras veredas.
Para falar dos ensaios introdutórios de Prólogos de La biblioteca de Babel, é preciso, antes, falar do conto A Biblioteca de Babel, que faz parte do livro traduzido em português, Ficcções. No conto, o mundo consta como uma enorme biblioteca com os mais variados assuntos, alguns de fácil decifração, outros de quase impossíveis decifrações. A biblioteca é constituídas por homens que se dizem bibliotecários. A biblioteca de Babel remete ao mundo da Mesopotâmia, a origem da civilização. O mundo, essa biblioteca, sugere igualmente o caos e o labirinto. Percorrê-lo e o desafio contra a crueldade divina.
Prólogos da Biblioteca de Babel contém 24 prólogos que Borges escreveu para a coleção La Biblioteca de Babel, publicada inicialmente em italiano e depois em espanhol. Selecionados por Borges, os livros que o interam revelam vastas e supreendentes leituras. Nos prólogos, analisa os contos de escritores diversos como Pedro Angonio Alarcon, Voltaire, Leopoldo Lugones, Leon Bloy, Giovanni Papini e P’u Sung-ling, junto a outros como Nathaniel Hawthorne, G. K. Chesterton, Robert Louis Stevenson, Herman Melville, Franz Kafka, Edgar Allan Poe e H. G. Wells, todos seus autores preferidos. Alguns desses autores têm títulos em português pela LPM. São eles, Jack London (Antes de Adão), Mark Twain (As aventuras de Huckleberry Finn), Voltaire (Cândido ou O otimismo), William Beckford (Vathek), Stevenson (A ilha do tesouro) e Wells (Uma breve história do mundo).
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Jorge Luís Borges. Prólogos a la biblioteca de Babel. Barcelona, Alianza Editorial, 2002.
Para falar dos ensaios introdutórios de Prólogos de La biblioteca de Babel, é preciso, antes, falar do conto A Biblioteca de Babel, que faz parte do livro traduzido em português, Ficcções. No conto, o mundo consta como uma enorme biblioteca com os mais variados assuntos, alguns de fácil decifração, outros de quase impossíveis decifrações. A biblioteca é constituídas por homens que se dizem bibliotecários. A biblioteca de Babel remete ao mundo da Mesopotâmia, a origem da civilização. O mundo, essa biblioteca, sugere igualmente o caos e o labirinto. Percorrê-lo e o desafio contra a crueldade divina.
Prólogos da Biblioteca de Babel contém 24 prólogos que Borges escreveu para a coleção La Biblioteca de Babel, publicada inicialmente em italiano e depois em espanhol. Selecionados por Borges, os livros que o interam revelam vastas e supreendentes leituras. Nos prólogos, analisa os contos de escritores diversos como Pedro Angonio Alarcon, Voltaire, Leopoldo Lugones, Leon Bloy, Giovanni Papini e P’u Sung-ling, junto a outros como Nathaniel Hawthorne, G. K. Chesterton, Robert Louis Stevenson, Herman Melville, Franz Kafka, Edgar Allan Poe e H. G. Wells, todos seus autores preferidos. Alguns desses autores têm títulos em português pela LPM. São eles, Jack London (Antes de Adão), Mark Twain (As aventuras de Huckleberry Finn), Voltaire (Cândido ou O otimismo), William Beckford (Vathek), Stevenson (A ilha do tesouro) e Wells (Uma breve história do mundo).
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Jorge Luís Borges. Prólogos a la biblioteca de Babel. Barcelona, Alianza Editorial, 2002.
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