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sábado, 20 de abril de 2013

A Invenção de Morel

O argentino Adolfo Bioy Casares (1914/1999) trabalhou como colaborador de Jorge Luís Borges durante muito tempo. Entre o que produziram juntos entre roteiros e antologias, há o livro Seis Problemas Para Dom Isidro Parodi & Duas Fantasias Memoráveis escrito sob o pseudônimo H. Bustos Domecq. Por trás do jogo de máscaras da autoria, em que os dois grandes escritores argentinos dão lugar, na verdade, a um heterônimo, ao menos dois aspectos se destacam: a raridade da literatura a quatro mãos e a modernidade do autor como outra criação do autor.
Borges considerava Bioy Casares um dos grandes da literatura universal, escrevendo que sua novela mais famosa, A invenção de Moral, é estruturalmente perfeita. Um fugitivo venezuelano esconde-se numa ilha deserta. Um dia percebe que há outras pessoas na ilha, especialmente uma mulher que lhe interessa sobremaneira. Busca  aproximar-se, mas ela não o nota, assim como os demais também não. Torna-se, então, um voyeur. De repente, assiste a um acontecimento insólito: Morel, o homem que mantém relacionamento cordial com a tal mulher, cria uma espécie de gravador multimídia que reproduz todos os elementos sensíveis da realidade. Morel é impulsionado pela fantasia trágica de vencer a morte para viver a eternidade. Morel fotografara os habitantes da ilha para que vivessem naquela fotografia para sempre.
A invenção de Morel é considerada pelos críticos como uma novela policial. Bioy Casares sempre se interessou por esse tipo de literatura, assim como foi um entusiasta da literatura fantástica, tendo publicado vários contos desse gênero. Tratar A invenção de Morel como novela policial tem um tanto de exagero, embora a história esteja muito bem amarrada e com suspense, levando ao interesse na elucidação da invenção de Morel. Você começa a leitura e não consegue largar até o final de suas cento e poucas páginas.

                          paulinhopoa2003@yahoo.com.br
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Adolfo Bioy Casares. A invenção de Morel. 3ª Ed., SP, Cosac Nsify, 2006, 136 pp., R$ 47,00

domingo, 1 de abril de 2012

Ninguém nada nunca

No calor insuportável do verão nos pampas, sob a pressão implícita do regime militar, os moradores da região de Santa Fé são assombrados por uma série de misteriosos assassinatos de cavalos. E a iminência desses crimes sanguinários, inexplicáveis e sem solução, uma verdadeira carnificina, vai produzindo uma tensão muda que faz da banalidade do cotidiano desses personagens uma experiência de nervos à flor da pele.
(texto da capa)
O enredo de Ninguém Nada Nunca se resume à tensão de uma espera, de um acontecimento sempre iminente. Esse é também o clima nervoso da história: a tensão de uma espera por um acontecimento que está velado por trás da morte trágica dos cavalos.Uma cidade pequena junto a um rio, calor pleno de fevereiro, aparentemente nada acontece, a não ser cavalos mortos de forma violenta por alguém que não se deixa conhecer. Gato e Elisa, moradores da margem do rio, bebem litros e litros de limonada ou vinho branco com bastante gelo. Quase não há diálogos entre eles, assim como não há quase diálogos em toda a história. Esse é um dos méritos da narrativa. Juan José Saer descreve ações de personagens em contato com a natureza.
A imaginação se esconde no vazio do pampa argentino, não há descrições psicológicas de interesse. A partir do momento em que tudo é físico, a descrição do plano geral é o detalhe intimista. Tudo é puxado para dentro da paisagem e da geografia movediça, vazia, onde a correnteza do rio e a gota de suor escorrendo pelo corpo são descritas no mesmo nível, numa narrativa física, que ressalta a unidade de todas as coisas, uma espécie de cosmos, de totalidade representada pela paisagem.
Juan José Saer (1937), nasceu em Santa Fé, Argentina. É filho de imigrante sírio Auto-exilou-se na França, a partir de 1968. saer começou a publicar em 1960. É autor de obras como A pesquisa, O enteado e A ocasião.
A obra em português está esgotada, mas encontra-se facilmente nos sebos.
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juan José Saer. Ninguém Nada Nunca. SP, Cia. das Letras, 1997, 232 pp