domingo, 21 de abril de 2013

Ibiamoré: o trem fantasma

Roberto Bittencourt Martins (1937) nasceu em Bagé. É filho de dois pioneiros da psicanalistas: Mário e Zaira Martins. Formou-se em medicina, especializando-se em psicanálise. Paralelamente, dedicou-se à literatura, colaborando em jornais e revistas. Escreveu os romances Ibiamoré: o trem fantasma, O Vento nas Vidraças e Amor Ardente. Vive atualmente no Rio de Janeiro.
Ibiamoré: o trem fantasma, envolve mitos e a história sul-rio-grandense. O cenário é Ibiamoré, cidade imaginária localizada na fronteira do Brasil com o Uruguai e a Argentina. De lá parte o tem que não respeita fronteiras, passando por onze estações, onde entram em cena muitos personagens: heróis, índios, jesuítas, espanhóis, portugueses, imigrantes e mestiços. Quem entra nesse trem não sai mais dele. Historicamente, episódios são lembrados, a partir da guerra jesuítica até a construção das primeiras estradas de ferro no final do século XIX.
A história começa com um velho que entoa uma canção acerca de um trem fantasma que corta os campos de Ibiamoré. A partir daí inicia-se a narrativa de Martins. Em cada estação, há a história de um personagem que acaba entrando no trem. O romance termina num círculo, com o velho entoando os versos finais, só que dessa vez sozinho, como se ninguém mais o quisesse escutar. Pronto para entrar no trem que o levará ao caminho do esquecimento. Embora cada capítulo desenvolva a vida de personagens diferentes, cada um deles mantém com o anterior e o próximo uma ligação nem sempre explícita, já que os capítulos não estão organizados em ordem temporal, mas por associação. Assim, o leitor é levado a participar desse processo.
O romance de Martins, embora apresente um narrador em terceira pessoa, que sabe de tudo e de todos, também apresenta outros supostos narradores, oferecendo diferentes relatos e versões da lenda do trem fantasma e daqueles que a contam. Romance original, escrito de forma poética, com personagens bem construídos, constitui leitura interessante.
Roberto Bittencourt, como a maioria dos bons escritores da literatura sul-rio-grandense, é pouco conhecido da maioria das pessoas. Seu romance Ibiamoré veio à tona em 2001, quando foi incluído na lista de leituras obrigatórias do vestibular da Unisinos de 2002. O romance, assim como toda sua obra, encontra-se esgotada. Mas pode ser encontrado nos sebos virtuais pelo preço médio de dez reais, exemplar em boas condições de leitura.

                                                                   paulinhopoa2003@yahoo.com.br

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Roberto Bittencourt Martins. Ibiamoré: o trem fantasma. 2ª ed, Porto Alegre, Mercado Aberto, 1995,
                                              424 pp.


3 comentários:

  1. Tenho um exemplar, editado em 1981 (L&PM), comprado em um sebo de rua no Largo da Carioca_Rio. Uma surpresa positiva ao embarcar na leitura e mergulhar nos mistérios que se avolumam a cada estação/ponte. A releitura é fascinante. A primeira leitura, então, é uma quase obrigação.

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  2. Tenho um exemplar, editado em 1981 (L&PM), comprado em um sebo de rua no Largo da Carioca_Rio. Uma surpresa positiva ao embarcar na leitura e mergulhar nos mistérios que se avolumam a cada estação/ponte. A releitura é fascinante. A primeira leitura, então, é uma quase obrigação.

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