domingo, 5 de março de 2017

42. A Peste

Albert Camus (1913/1960) nasceu na Argélia, no período, em que o estado africano era colônia francesa. Logo, era um francês nascido na Argélia. Tinha, também, ascendência francesa por parte do pai. Filho de família muito humilde, fez seus estudos em Argel, destacando-se pela inteligência e originalidade na forma de se expressar. Graças a empenho de professores, conseguiu, através de bolsas de estudos, concluir o grau superior em Filosofia. Exerceu a função de jornalista em Argel, até mudar-se para Paris, onde passou a ser reconhecido internacionalmente, por  sua literatura. Camus era também teatrólogo.

Publicado em 1947, A Peste trata do absurdo da existência humana, que se resolve através da solidariedade. A narrativa se passa na Argélia, na cidade fictícia de Oran, onde as pessoas "se dedicavam ao tédio e a criar hábitos". Era uma cidade feia, sem pombos, sem árvores e sem jardins, apenas nos céus se lia a mudança das estações. Durante a manhã de 06 de abril de 1940, surge um acontecimento insólito: começam a aparecer ratos e mais ratos mortos pelas ruas e casas, assustando as pessoas. Era o vírus da peste bubônica que, logo em seguida, começa a dizimar os habitantes de Oran.
A administração pública in­siste em esconder o flagelo, mas a situação se complica e a cidade inteira entra em quarentena,  sitiada. Todos exilados, na condição de prisioneiros.

Quando os portões das cidades são fechados pelo isolamento do mundo, um fato inusitado acontece: os laços de amor e amizade estreitam-se. Um grupo de pessoas se dedicará à luta contra a peste, num enfrentamento resignado e persistente,  travado pelos homens que providenciavam o isolamento sanitário dos doentes e a quarentena dos familiares, assim como um mínimo de atendimento às vítimas da peste.

Uma das figuras solidárias é a do dr. Rieux, ateu, que faz o máximo possível para o bem estar alheio, mas não é visto como herói, faz o que faz de forma gratuita, nada além do estar bem consigo mesmo. O padre Paneloux é outro que se envolve voluntariamente no combate à peste. Ele achava, inicialmente, que a peste pudesse ter sido obra de Deus, para castigar os moradores da cidade. Com o tempo, começa a se opor à ideia de aceitação e submissão, achando aquilo tudo revoltante, sem, entretanto, perder a crença religiosa. Tarrou, um artista revoltado, é um estrangeiro em Oran, atuando lado a lado com o médico, criando abrigos sanitários. Ele se dizia ser um santo sem Deus.

Até que as coisas começam a mudar, a peste regride, os habitantes começam a se recuperar do isolamento e tudo se esquece e os ratos voltam a surgir vivos e espertos. Mas o que Camus desejava, com sua narrativa, é que as pessoas se dessem conta de que a vida, entretanto, não poderia voltar a ser exatamente o que era antes, que destruir é mais fácil que construir E o que se aprende com a destruição, é que colocando-se ao lado das vítimas, pode-se procurar a paz.

Tradução de Valerie Runjanek
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Albert Camus. A Peste. 5 ed, Rio, Record/Bestbolso, 2016, 294 pp

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