terça-feira, 1 de junho de 2010

Meninos e meninas

Estou lendo a autobiografia de Sartre (As palavras, 6ª ed., RJ, Nova Fronteira, 2000. A obra pode ser encontrada em sebos da Estante Virtual). Nela, o escritor conta sua infância ao lado da mãe e do avô materno – seu pai morrera quando Jean-Paul era muito pequeno. Numa passagem do livro, ele narra a sensação de que sua mãe talvez quisesse tê-lo como menina, fazia-o usar cabelos compridos, além de outros mimos que ele sentia como características dadas às meninas. Um belo dia, o avô o leva ao barbeiro e acaba com os devaneios da mãe.

Isso despertou a lembrança de uma conversa que tive com minha mãe, quando eu era criança. Pedi para lavar a louça do almoço e ela não quis, disse que se eu aprendesse tarefas femininas, quando me casasse iria fazer as lidas domésticas que caberiam à minha mulher. Hoje moro sozinho, aprendi a lavar louça, cozinhar. Se minha mãe, além de me ter deixado lavar a louça, tivesse me ensinado a cozinhar, teria herdado muito de seu gostoso tempero caseiro.

Hoje em dia, apesar dos avanços de gênero, ainda percebo muito da forma de pensar de minha mãe na postura das mulheres. A clássica divisão das tarefas domésticas existe, apesar da ajuda masculina. Faz parte da cultura do ser humano em qualquer lugar. Nas separações de casais com filhos, ainda é comum a presença deles junto às mães.

Na educação, por que ainda se veem mulheres diversificando costumes que poderiam ser semelhantes entre os sexos? É da cultura? É do preconceito feminino contra si próprio, criando o menino diferentemente da menina? Será que espelham no filho o desejo do homem ideal? A igualdade ou diversificação de comportamento entre homens e mulheres ainda tem maior responsabilidade na presença da mãe? As mulher talvez possam responder melhor a esses questionamentos.

(Aproveito a oportunidade para divulgar o blog


www.familiaseparadapelaalienacaoparental.blogspot.com)

2 comentários:

  1. Gostei do texto e da informação sobre a criação de Jean-Paul Sartre. Comigo aconteceu assim: minha mãe - quando eu era pequeno, lá em Maceió - tinha uma saúde bastante debilitada quando morávamos lá. Por não ter quem a ajudasse nas atividades domésticas, ela me ensinou a lavar a louça, cozinhar, cuidar de minha irmã com menos de um ano de idade e outras coisas mais que, para a nossa educação machista, seriam absurdas para serem ensinadas a um menino "macho"! Hoje sou grato a ela por tudo o que me ensinou e está mais do que na hora de desconstruir essa realidade pois homens e mulheres são iguais, as diferenças foram socialmente construída e hoje pagamos um preço alto! Paulo adorei seu blog e visitá-lo-ei com mais frequência.

    Cícero Alberto (Aracaju-SE)

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